A maternidade é o único momento em que o ser humano é "avaliado" por sua potencialidade animal, onde o aspecto racional é ignorado e a natureza compulsória "valorizada", "protegida"...
O único trabalho realizado em nossa
sociedade dominante cuja a "moral" e "ética" proíbem a cobrança de dinheiro ou de
qualquer compensação material para o exercício da função é o
que envolve a tarefa de ser mãe. Nem mesmo a avaliação competitiva
por mérito é permitida em busca de reconhecimento e valor (não
existe concurso de melhor mãe do ano ou prêmio Nobel da
maternidade...). O conhecimento acumulado, a eficiência do método
desenvolvido ou a especialização da pesquisa humana aprimorada
durante o desenvolvimento da carreira não adquire promoção diante
da Academia Científica, o mercado ou a cultura.
(Se a Mãe cobrar do filho as atenções
dispensadas em sua criação... já pensou o tamanho da dívida
acumulada desde a cópula até o primeiro emprego? O valor cobrado
por cada consulta que fazemos a nossas mães sobre nós mesmos...quanto custaria?)
Todas as atividades desenvolvidas no
ambiente de trabalho da mãe, são indignas se vistas pela
perspectiva dos direitos trabalhistas: jornada de trabalho,
disponibilidade para o serviço, condições de insalubridade do
exercício da função, física e mental (índices não faltam sobre
a frequência feminina em postos de saúde, psiquiátricos e
policiais, quase sempre acompanhando suas crias... em exercício da
função maternal) e total
ausência de bonificação ou mérito.
Invisibilidade cultural completa.
Mas tem o dia das mães...
Invisibilidade cultural completa.
Mas tem o dia das mães...
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_ Não tem ciência!
Insistia dona Maria, tentando dar-me a receita de seu delicioso vatapá escondendo-me o segredo:
Insistia dona Maria, tentando dar-me a receita de seu delicioso vatapá escondendo-me o segredo:
_ Mas Dona Maria, é só isso mesmo? Tem certeza que a senhora me deu a receita certinha?
_ Não tem ciência, Carla! Tá tudo certinho, é assim mesmo!
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Se amor é aquele sentimento descrito
por Paulo de Tarso, o Apóstolo das Cartas (...é um estar-se preso por
vontade; é seguir a quem vence, ao vencedor; é um ter por quem nos
mata lealdade...) então é encontrado nas cozinhas mais que nos
quartos, e na imagem de deus não é a de Maria menos que a de Jesus.
A história de Maria vem sendo cada vez
mais esquecida, sobretudo nas correntes de pensamento religioso
protestante.
Quando lembrada, Maria aparece numa estátua exibida na praça em dia de festa, bordada na blusa em desfile de moda... idolatrada imagem.
Quando lembrada, Maria aparece numa estátua exibida na praça em dia de festa, bordada na blusa em desfile de moda... idolatrada imagem.
Se a Bíblia é a história de pessoas
atuantes, vivas, encarnadas e não de seres encantados em nuvens celestiais... então deixemos de adorar imagens (sejam imaginadas ou de cobre) e honremos noss@s
ancestrais!
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Quando anunciei a minha avó Maria
Izabel minha partida em direção a Bahia ela virou-se imediatamente
para minha companheira de pele carregada de melanina e ordenou: _ Não
vá levar minha neta pra macumba, hein? Dizem que tem muita macumba
na Bahia.
Foi a deixa que eu precisava para
conversar com ela sobre um assunto proibidíssimo em minha família
evangélica. Minhas idas ao candomblé. Ela que nunca havia ido a
macumba, me disse que gostaria de saber como é... conversamos e
rimos um bocado naquela tarde em seu quintal de Santa Cruz.
Os terreiros de umbanda que conheci são
casas aconchegantes, acolhedoras. Um quintal com árvores sacralizadas,
grutas encantadas, energizadas diariamente com a força da devoção e comida farta e saborosa...
No quintal de minha avó Regina, mãe
de meu pai, encontrava esse espírito acolhedor, as árvores e a devoção, mesmo sendo de
família evangélica.
O fato de ter ficado viúva muito cedo, com crianças em casa para criar, minha avó não tinha como estar sempre na igreja, com isso era comum vê-la de joelhos ao pé da cama orando ou lendo a Bíblia. Os encargos com a casa e @s filh@s ocupavam-lhe à exaustão, física e emocional. No entanto, era pessoa amável e acolhedora. A casa sempre desarrumada, mas com um delicioso doce em calda, ou bolo, ou outra delícia que ela aprontava imediatamente para aquele que chegava e sempre estava chegando alguém...
O fato de ter ficado viúva muito cedo, com crianças em casa para criar, minha avó não tinha como estar sempre na igreja, com isso era comum vê-la de joelhos ao pé da cama orando ou lendo a Bíblia. Os encargos com a casa e @s filh@s ocupavam-lhe à exaustão, física e emocional. No entanto, era pessoa amável e acolhedora. A casa sempre desarrumada, mas com um delicioso doce em calda, ou bolo, ou outra delícia que ela aprontava imediatamente para aquele que chegava e sempre estava chegando alguém...
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Tem ciência sim! O quindim de minha
mãe é o mais gostoso.
_ Mããêêê, será que você faria
aquele quindão pra gente comer de sobremesa no dia das mães?!

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